dois. depois que fundiu, fodeu.

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Posted: 29.12.07 | Postado por Dois² | 0 comentários

A gente se perde pra se perder.
A gente procura pra se achar.
A gente espera pra encontrar.
A gente encontra pra se peder.

Perdi.
Achei.
Achei ter encontrado.
Tornei a perder.

Depois disso decidi viver
Porque pensar demais implica e não fazer.
E viver é tudo que nos resta
A fazer.

Cores e cheiros

Posted: 28.12.07 | Postado por Dois² | 1 comentários

Sabe o que parecia? Parecia a casa de vovó. Era como se eu estivesse voltando nos tempos das festas de final de ano em que toda a minha família ía para lá e minha tia se vestia de papai noel. Tinha a cor e o cheiro daquele tempo, se bem me lembro, mas era hoje. Meu celular estava tocando e eu o antendi com a mesma voz e entusiasmo de sempre. Era uma ligação estranha, vinda de São Paulo. Atendi e fiquei surpresa ao saber que, por motivos de fraude num concurso cultural, eu ganhara uma casa de praia e não um amigo meu, Matheus. Tá, apesar de surpresa e incrédula, acertei tudo com a produção e fui pegar as chaves do meu mais novo infinito particular. Chamara meu pai para ir comigo até lá, já que ele já estava velho e aposentado. Os velhos gostam de se sentir úteis, e como eu sabia que ele muito me seria, convidei-o. Fazia tempo que nós não nos víamos, depois da separação com a minha mãe e a minha saída de casa, além das nossas brigas infindas, nós nos perdemos um do outro. Foi bom revê-lo. Ele continuava altivo e com menos cabelos que da última vez, além de brancos. Eu já havia chegado com as chaves por lá e quando nos deparamos na frente da casa quase caí de desespero e choro.
A casa estava completamente abandonada, velha e suja. Por fora parecia um bar velho que fora fechado há séculos. Pintado de vermelho e branco, todo em ruínas. O que parecia um sonho acabara de se transformar em pesadelo, desilusão e trabalho. Abri a porta e adentrei na casa, tinha uma sala enorme, 3 quartos, uma cozinha e um quintal gigante que dava pra praia. O sonho de muitos, agora minha realidade; ainda que triste. Ele começou a chorar sentado numa cadeira e encostado na parede. Nos abraçamos e as lágrimas caíram dos dois, agora já não havia mais como segurar. Ele falou que me amava muito e que sofria com a minha ausência. Eu apenas chorei. Logo em seguida levantei-me e pus a procurar baldes e panos e vassouras para começar uma limpeza. Era tempo de mudar e eu queria que a mudança chegasse na mesma hora. Pus-me a jogar baldes e mais baldes d'água e a limpar a casa. Meu pai saiu e voltou com um monte de gente disposta a ajudar, alguns amigos meus, inclusive. Limpamos, lavamos, tiramos o pó e o cheiro de mofo. E de noite, ao final, meu pai me disse muito obrigado e nós voltamos para as nossas casas.
A minha casinha de praia se ergueu com muito suor e empenho, meu e dele. Todo dia nós fazíamos alguma coisa juntos e assim, pintamos, construímos um jardim e fizemos um quintal lindo para festas. Meu pai virou pescador e eu dona de bar. Moramos na beira da praia; nosso infinito particular.

Tentativa de criação de personagem (frustrada)

Posted: 26.12.07 | Postado por Dois² | 0 comentários

Dia desses comecei a esboçar um personagem novo. Rascunha daqui, rascunha de lá, saiu isso:

Eu bem sabia que aquele não seria um dia comum. A atmosfera estava diferente, e se eu tivesse o dom de prever o futuro, teria me surpreendido.
Era um domingo quente de verão, e na geladeira não havia nada de interessante pra fazer uma boquinha. Resolvi ir até o supermercado, que fica a dois quarteirões de onde eu morava. Não sei bem o que eu queria, mas era algo diferente, dessas coisas que não se come todos os dias. Achei uma barra de chocolate suíço. Caro, mas valeria.
Acho bem melancólico ir ao mercado sozinho.
Comprei o tal chocolate e uma garrafa de vinho australiano, safra de 1999.
Já na fila do caixa algo começou a gelar minhas têmporas. Algo aconteceria, eu só não tinha idéia do que era. Um assalto talvez, seqüestro relâmpago, algo do gênero. Fingi que não me preocupei, e tentei manter a calma.
Paguei as compras, embalei e fui embora.
Na rua, o barulho terrível que me persegue até hoje, todas as noites, invariavelmente. O barulho da freada do carro, a sacola voando, a pancada que me anestesiou momentaneamente e por fim o apagão.
Acordei no hospital. A enfermeira me olhando com ares de dó, e eu logo vi que o pior tinha acontecido.
Meu corpo inteiro doía, menos as pernas. Tentei mexê-las, mas não se moveram um só centímetro.
Sim, eu tinha ficado paraplégico.

A noite é onde tudo pode acontecer, inclusive nada.

Posted: 25.12.07 | Postado por Dois² | 0 comentários

Ela estava louca naquele dia. Saiu de casa e disse apenas que iria beber e que só chegaria no outro dia. Era costume, ninguém mais reclamava com ela por isso. Saiu. parou num bar perto da faculdade e encontrou com uns amigos. Bebeu cachaça e daí surgiu o convite para ir pro show da banda do amigo, ela foi. Aquele menino que ela havia ficado há alguns meses estava lá e estava solteiro. Claro que eles ficaram loucamente bêbados se agarrando pelas ruas da cidade e depois voltaram pro meio das pessoas. Ela estava cansada e com sede daquela boca, foi procurá-lo. Uma hora depois ela reecontra aquele ex rolo, de muito tempo atrás e de todas aquelas histórias longas e cabeludas. É, o menino estava namorando agora mas não se fez de rogado e tascou-lhe aquele beijo. (Ela tem sina para meninos comprometidos) Os dois se beijaram como antigamente, com todo aquele fervor de sempre, além das juras e dos elogios ao pé do ouvido. Sem nexo, estavam bêbados. Mas ela sempre acredita que quando o álcool entra, a verdade sai. Sempre. Pelo menos com ela era assim. A noite ainda estava na metade, ela saiu dali deixando o ex rolo para trás e indo praquela 'festa estranha com gente esquisita'. No carro não escapou dos comentários dos amigos que a julgavam pelos atos que cometera durante aquela noite. Ela se importava, claro, mas estava feliz demais para dar-lhes devidas importâncias. A chegada na festa parecia um filme, sabe?! Tipo 'Irreversível' e aquela festa num apartamento escuro e cheio de pessoas e seus hormônios. Mais cerveja. Música sempre era bem vinda, ainda mais naquele lugar que tinha nome e vontade própria. A noite, ou o resto dela, seguia com conversas, pessoas, bebidas, música e aquela primeira boca da noite. Ele havia voltado. Ela não deixara que eles ficassem distantes. Quando se deu conta eram 7 da manhã e ela ainda estava ali com ele, deitada no chão daquela casa estranha, mas tão aconchegante... E quem pensa que ela conseguiu se despedir dele e ir embora, engana-se. Os dois foderam loucamente na escadaria de manhã cedo e em pé. Claro que ela voltou pra casa, mas só depois de gozar duas vezes e sair de lá com gosto de boca na boca.

Posted: 23.12.07 | Postado por Dois² | 2 comentários

Desejo toda a felicidade do mundo, e ainda que isso seja pouco, desejo um 8 deitado.
Isso é amor, saca?!

3 x 3

Posted: 20.12.07 | Postado por Dois² | 1 comentários

Eu vi
A gente se juntar
E depois ruir.


Eu não queria
Acabar
Sem alegria.

Depois de partir
Eu pensei:
Cadê você aqui?

Havia

Posted: 18.12.07 | Postado por Dois² | 0 comentários

Colisão frontal,
embate litigioso.
Um só, dizia.
Não há.
Mas havia.

No dia do embarque.

Posted: 13.12.07 | Postado por Dois² | 1 comentários

Chequei tudo que havia colocado na lista de coisas pra levar na mala. Escova de dentes, toalha, calcinhas, meias, a saia azul de jeans e os óculos escuros de sempre. Tudo ok. Saí de casa às 4:15 da manhã para não haver atrasos na hora do embarque e logo já estava no aeroporto. Check-in saco, mas tem que ser feito. Eu estava levando uma garrafa de vinho branco e seco de presente para uma amiga, uns livros pro amigo querido de sempre e uma camiseta para aquele senhor prestativo que havia me dado carona há uns meses. Tudo certo. Entrei no avião na hora marcada, nem me senti no Brasil nessa hora. E depois de quatro horas e meia de vôo eu desembarcava naquele mundo de gente estranha. Esperei os amigos me buscarem no desembarque e seguimos apressados para o almoço, afinal, já era meio dia. Um restaurante limpo e aconchegante nos esperava e comemos aquela salada e depois a massa deliciosa. Conversas, um café e um cigarro no final. Hora de ir para casa desfazer as malas e contar como tinha sido a odisséia até ali.
De noite um barzinho e umas cervejas, gente nova e simpática. Me diverti muito. Voltamos para casa cedo e só dormimos quando já era dia, porque tínhamos que colocar o papo em dia, não é mesmo?!

Ansiedade musical

Posted: 12.12.07 | Postado por Dois² | 1 comentários

Olhou no relógio. Trinta e seis minutos de atraso.
A impaciência já o dominava, visto que roía freneticamente as unhas. Olhava para os lados como se alguém pudesse aparecer a qualquer instante. Sim, a possibilidade era real.
Tirou a mochila das costas, abriu o zíper e tirou seu mp3 player; colocou os fones nos ouvidos e ligou o aparelho. Desde que comprara aquele gadget sua vida nunca mais fora a mesma. Não teria mais que ouvir as buzinas do trânsito e nem as conversas inúteis e enfadonhas no ônibus.
Criara um mundo à parte com seu player. Ia dos anos 70 até o futuro em apenas um clique num botão.
Mas naquele dia sua fantasia fora interrompida bruscamente quando acabara a carga da pilha do mp3 player.
Maldito mundo moderno!

Sim, é autobiográfico

Posted: 11.12.07 | Postado por Dois² | 2 comentários

Ela era só uma menina apaixonada diante de um cara legal pedindo que ele a amasse. O que ele fez? Disse que era passional demais para qualquer um.
Ela foi embora sem dizer mais nada e hoje vive bem, obrigada.

Ladrão de supermercado

Posted: 10.12.07 | Postado por Dois² | 3 comentários

As câmeras filmavam-no o tempo todo, e ele, ladrão profissional, não se dera conta disso.
Fez tudo como o planejado. Foi até a seção de eletrônicos e escondeu um Palm embaixo de seu sobretudo de couro-reluzente.
Passeou um pouco pela loja, para fingir que era um consumidor comum. Olhou a seção de perfumaria, e até experimentou alguns desodorantes novos. Não gostou de nenhum; se tivesse gostado até arriscaria-se a levar algum.
Passou por um grupo de seguranças que lançaram olhares desconfiados sobre ele, mas não mostrou o mínimo sinal de insegurança, apenas andou como se não tivesse acabado de roubar algo.
Seu maior medo era de que ao sair os alarmes apitassem; o plano estava bem esquadrinhado. Havia uma brecha por entre os caixas onde não havia alarme. Foi por lá que ele saiu.
Andou por umas duas quadras antes de empolgadamente tirar o Palm debaixo do sobretudo.
Tentou ligá-lo; em vão. Era daqueles que não funcionam, de mostruário, puro plástico.

Engane-se

Posted: 9.12.07 | Postado por Dois² | 5 comentários

Acordou meio atordoada aquele dia. Pudera! Tomou poucas e boas na balada da noite anterior.
Não se lembrava como havia chegado em casa. Talvez carregada por algum desconhecido que foi embora depois de terem transado. Claro que ela não lembra.
Não era ressaca o que sentia, nem arrependimento. Apenas uma sensação boa, embora vaga.
Ligou para uma de suas melhores amigas, afim de obter alguma informação que esclarecesse os fatos. Caixa postal. Ela odeia caixa-postal.
Foi tomar o desjejum. Pão-de-ontem com manteiga, suco de laranja industrializado e doce-de-leite que sua mãe trouxera de Minas Gerais, uma delícia. Abriu o laptop enquanto degustava a refeição. Deu uma passeada pelos portais de notícias, abriu o email, abriu o orkut; nada disso a animou.
Resolveu tomar um banho gelado. Nada melhor do que um bom banho gelado para ativar os neurônios que resistem em trabalhar pela manhã. Ainda bem que a manhã estava quente, assim o choque-térmico não seria muito grande.
Perfumou-se – como sempre faz após os banhos. Acendeu um cigarro, sentou-se em uma poltrona de palha na varanda e pôs-se a observar os pássaros. Lá embaixo as crianças brincavam.
Lembrou-se de que havia adormecido assistindo a um DVD na noite passada. Desligou o aparelho, e riu.
Ela não havia saído de casa.

Tipo isso

Posted: 8.12.07 | Postado por Dois² | 0 comentários

Não acho justo
que os ímpios sejam vis,
ou qualquer merda assim.

Posted: 2.12.07 | Postado por Dois² | 0 comentários

Se fosse pra ser bonzinho o tempo todo eu virava Gandhi.